Turma da Mônica Jovem

Não pretendo me alongar muito sobre o assunto, já que não cheguei a ler a revista número 1. Só dar umas pequenas impressões a respeito do que li e vi a respeito deles.

Pra quem ainda não sabe, a Maurício de Souza Produções lançou recentemente a Turma da Mônica Jovem. Que nada mais é do que uma versão adolescente da já conhecida turminha do bairro do limoeiro. “Versão adolescente”? Sim. E as mudanças vão muito além disso.

Pra começar, o estilo dos desenhos passa a ser “estilo mangá”, o que inclui desenhar as estórias em preto e branco (influência mercadológica, talvez? Ou da editora?). Algo estranho, já que o Maurício sempre pareceu levar à frente o seu próprio estilo, com as fumacinhas na cabeça e os olhos roxos.

Na verdade, faz muito tempo que eu não leio revistinhas da Turma da Mônica – com excessão das que estão guardadas na minha casa, que são da década de 90, quando eu assinava as revistinhas. Ouvi falar que parte destas mudanças já estavam ocorrendo pouco a pouco nas próprias revistinhas da turma (algumas expressões dos personagens estavam se tornando meio “mangazescas”, por exemplo).

E de fato, não podemos ignorar que as coisas evoluem. O traço dos personagens mudou completamente da época em que apenas frequentavam tiras de jornal até os dias de hoje. Uma evolução natural sempre ocorre, modificando traço e expressões de personagens. As coisas se “modernizam”. E se, o próximo passo da evolução do traço da turma é chegar nesse traço mais “mangá”, que seja então.

 

Olhando o site oficial, é possível dar uma olhada melhor na cara dos personagens e ler o “número 0” (é necessário fazer cadastro). Eu li e a impressão que me deu pode ser resumida da seguinte forma: é como reencontrar aquele velho amigo de infância vários anos depois e descobrir que ele mudou completamente.

O Cebolinha aprendeu a falar certo, e só troca as letras quando está “nelvoso”. Seu cabelo cresceu e ele pede agora para ser chamado de “Cebola”, pois Cebolinha é muito infantil. A Mônica não é mais baixinha nem gorducha. A Magali aprendeu a comer moderadamente, para cuidar da saúde e do seu “corpitcho”. E o Cascão… pois é, o Cascão agora toma banho. Não gosta, mas toma.

Essas mudanças são necessárias, talvez… é difícil (e meio inocente demais) imaginar que as pessoas da Turma cresceriam e manteriam as mesmas manias depois de adultos, ainda que no inocente universo “Mauriciano”. Mas não deixam de causar um certo choque, da mesma forma que ocorre na comparação que fiz acima. Normalmente, quando encontramos esse amigo de infância, ao mesmo tempo que ficamos felizes por reencontrar alguém que foi importante em certa época da vida (e por matar a velha curiosidade de “por onde anda fulano”), temos a sensação que é melhor manter aquela velha imagem que tinhámos dessa pessoa, ao invés de reencontrá-la e modificar tudo.

Nesta edição “0” disponível no site, fiquei com a sensação que as mudanças no traço não são tão pesadas. Tem um quadrinho no qual a Magali está sentada encostada em uma árvore cheia de gatos no colo. E tanto a árvore quanto os gatos tem um traço bem “Maurício” (aliás todos os cenários continuam com traços tradicionais das antigas historinhas). Não sei se foi para reduzir o choque do público tradicional n primeiro momento, mas aparentemente na revista número 1 eles já parecem completamente “orientais”, como pode ser visto na página abaixo.

Como eu não li a edição número 1, recomendo fortemente a leitura desse post do Fred Fagundes no quem matou a tangerina?, que leu, escaneou, comentou e analisou muito bem. E aparentemente é a análise sincera de alguém que cresceu sob a influência dessas estórias, assim como eu.

Aliás, é bom se falar: as estórias da Turma da Mônica tiveram uma boa dose de influência na formação do minha persona. Foi com eles que aprendi a ler as primeiras palavras e com quem aprendi a elaborar as minhas primeiras estorinhas. Cheguei inclusive a criar uma “turminha” própria quando criança, e desenhava as estórias deles em um bloquinho de papel, com aquele traço infantil mesmo. Influência pouca é bobagem.

Ah, uma coisa importante que esqueci de comentar: como adolescentes, agora as estórias giram em torno de “problemas de adolescente”. É óbvio. Desde piadinhas sexuais de duplo sentido (sim. Entrem no link pro blog que deixei acima – ou vejam a imagem abaixo) a temas como drogas, tudo começa a aparecer nessas historinhas.

Piadinha sexual presente na historinha, escaneada pelo Fred Fagundes e gentilmente roubada por mim.

De certa forma, acho que tanto eu quanto os outros fãs da Turma sempre se fizeram a mesma pergunta: “como a Turma ficaria depois de vários anos?” O próprio Maurício comenta que vivia sendo questionado a respeito (“porque você não lança uma revista com a turma crescida?”) e esse foi um dos motivos do lançamento.

A pergunta é difícil de ser respondida, porque entrava ano e saia ano, eles sempre completavam a mesma idade nos aniversários: 6 anos. Volta e meia, o pessoal do estúdio do Maurício se aventurava em exercícios de imaginação do tipo, como nessa estória onde a turma se torna adolescente da noite pro dia e no especial que apareceu na superedição de 30 anos da Mônica, onde eles aparecem adultos: Cebolinha casado com a Mônica e coisas do tipo.

A diferença é que nessas estórias, a Turma sempre aparecia com o mesmo tipo de traço e com o mesmo jeitinho de sempre. Dessa vez, o exercício foi mais longe, e o Maurício resolveu levar a sério e atender às dúvidas de todos. “Como ficaria a turma epois de crescida?” Aí está a resposta de verdade, goste ou desgoste quem quiser.

Eu acho o exercício interessante, mesmo com todas as modificações no comportamente dos personagens. Acho que o que me incomoda mais no fim das contas é o traço mangá. Não que eu desgoste de mangás – pelo contrário – mas sabecumé, cresci acostumado com as fumacinhas e olhos roxos de sempre. É muito estranho ver a Mônica com gotonas ou veias estouradas na testa, ver os personagens aumentando de tamanho quando gritam, ou caindo no chão quando alguém fala alguma asneira. De resto, eu até acho interessante as tão criticadas mudanças nos comportamentos personagens. Acho que dá pra matar aquela velha curiosidade de saber como eles seriam depois de crescidos, de verdade.

Parece que quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas“, filosofa a Mônica em certo ponto na edição 0. E é por aí. A “alma” dos personagens ainda é a mesma, mas eles mudaram porque é inevitável mudar, principalmente nesta fase da vida. Aliás, vejam pelo lado bom: a Magali podia ter virado fã de RBD, o Cebolinha podia ter virado Emo (agora que tem cabelo suficiente) e o Cascão fã de Charlie Brown Jr. Podia ser bem pior. BEM pior.

O Maurício sabe que corre um certo risco mexendo com personagens que estão presentes no imaginário de boa parte dos brasileiros que nasceram da década de 70 em diante. E eu aprovo essa tentativa, de certa forma. Não sei se o público tradicional está preparado pra isso, mas de repente outro tipo de público esteja. Vamos ver o desenrolar desse projeto e ver o que acontece.

Mas deixo bem claro: sempre irei preferir a turminha tradicional, que inclusive continuará indo às bancas como sempre. Sim, eles não foram aposentados e espero que nunca sejam. Afinal, tenho esperanças que, caso tenha filhos um dia, eles possam crescer junto com essa turminha assim como eu cresci.

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PS: Pesquisando a respeito achei o vídeo abaixo que zoa as transformações da turma. Na versão do vídeo, todos se tornaram adolescentes drogados toscos. Divertidinho.

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10 Respostas to “Turma da Mônica Jovem”

  1. Paulinha Says:

    Oieee!!

    Muito bom o post… não li os outros ainda, mas asssim q tiver tempo irei fazê-lo! Mas não resisto a turminha mais encantadora de tds os tempos, tenha ela a idade que for!

    Bjinhos e saudades

    Paulinha

  2. kiki Says:

    legal… apesar de ter achado o seu texto um pouco longo, achei boa a analise…

    tambem nao, tambem fiquei chocado ao saber. tambem achava que o “estilo mangá” era o fim da picada, mas me parece o menor dos problemas, depois dos comentarios aqui postados.
    alias, essas tiradas com situações adolescentes semi-pornograficas é muito mangá, sempre tem as situações constrangedoras, o carinha tarado-voyeur, etc.

    o paralelo com o amigo de infancia é preciso. já aconteceu comigo, um dos melhores amigos da escola, encontrei no cursinho. não teve graça nenhuma.

  3. Ana Paula Says:

    Oi eu amo a turma da mônica agora que saiu essa novidade de eles crescerem vou amar mais ainda eu sou super fã da mônica e do cebolinha

  4. Isabella Says:

    oi,eu amo a turma da monica,tenho todas as revistinhas da turminha e claro eu tbm vou ter todas as revistinhas deles joves!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. Isabella Says:

    A quase ia esquecendo…eu tbm tenho todos os dvs da turminha!

  6. Pamella Says:

    Gostaria de saber em que site posso pegar as história da turma da minica jovem!!

    Adoroo a turma da monicaa!!

    Beeijos..

    ate mais!!

  7. charles martins Says:

    eu gosto muito da monica porque ela é muito braba com cebolinha
    eu sou muito brabo com minha irmã.
    eu gosto muito da turma da monica
    beeijos…
    ate mais!!!

  8. wastero Says:

    quem não gosta da turma da monica e turma da monica jovem é por que nunca leu a revista,se lece jamais ia ficar falndo que a tm e a tmj é ruim,agora pense bem se a tm e tmj fosem tão ruins como esta vendendo aos milhares

  9. renata Says:

    Sempre adorei a turma da monica mas não gostei muito das transformações apesar de sempre adorar ler gibi da turma e da monica jovem.
    acho que estamos muito apegados as antigas transformações e agora temos que nos aptar as novas!
    uma critica a mim mesma!
    bjs

  10. LeandroDJC Says:

    É bem o que a Renata disse. Muita gente critica a perda de antigas características, mas não repara no ganho de novas:

    Magali não é mais gulosa, mas ao se controlar pra não sê-lo, se tornou controlada como um todo, uma pessoa mais tranquila, meiga… Aquele tipo de menina que as pessoas se orgulhariam em dizer que conhecem desde criança. E virou, de certa forma, uma conselheira da Mônica.

    Cascão toma banho, mas ficou ao mesmo tempo esportista e nerd, traços que não vemos em uma mesma pessoa todo dia. O lado nerd do Cascão quando aflora, é muito bacana!

    O Cebola por um lado ficou babaca (igual todo metido a pegador é), mas às vezes, ele – assim como a Magali – também chama a Mônica à razão pra certas coisas. Aliás, ficou um personagem bem racional e bem lógico, sem ser chato.

    A Mônica foi a que menos mudou das principais, só parou de bater – ou não, rsrs – mas características como franqueza, lealdade aos amigos e temperamento forte amdureceram de uma forma muito agradável.

    Isso que ainda tem os secundários que também evoluíram, e tem um papel até mais importante que na turminha clássica.

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