Eu faço uma pós-graduação que lida com processos criativos. Ontem, em uma das aulas, me foi apresentado o Making Of do clipe da música Star Guitar, dos Chemical Brothers. O clipe foi elaborado e dirigido por Michel Gondry. Os mais desinformados vão reconhecê-lo pelo filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, do qual ele foi diretor.
O que eu achei interessante nesses vídeos foi justamente observar o processo criativo do Gondry. Algo como “veja o gênio trabalhando”. Eu não conhecia o clipe, fui apesentado primeiramente ao making of, e fiquei abismado com o resultado final.
Farei o mesmo então, apesar de imaginar que a maioria das pessoas que acessam este blog já devem conhecer o clipe. Segue o Making Of:
Fazendo uma descrição básica do vídeo, já que isso estimula as pessoas a assistí-los (ou não): Gondry tenta, rabiscando no papel, traduzir visualmente a batida da música e todos os sons que vão surgindo ao longo da mesma. O que parece piração vai sendo traduzido visualmente no final do clipe, quando ele atribui arbritariamente objetos aos símbolos que fez no papel: laranjas, tênis, garfos, etc. Eis que faz um teste na rua, distribuindo estes objetos na mesma sequência com a qual estão os símbolos no papel, e os filmando com uma câmera na mão.
Já o resultado final está no resto do post:
As laranjas e tênis viraram casas, postes e pontes vistos de uma janela de trem. Gondry conseguiu traduzir ao ritmo da música visualmente, e tudo começou com um bando de rabiscos em um rolo de papel contínuo. Surge, através disso, uma estrada/ferrovia onde os elementos que passam são repetitivos como os elementos da música. Eu gosto especialmente do impacto visual da cena em que começam a surgir dezenas de pontes uma após a outra.
Aliás, diga-se de passagem, Gondry tem se mostrado como um dos diretores mais criativos dos últimos anos, capaz de criar sequências visualmente impactantes, sempre beirando o surrealismo. Tudo que cria é digno de prêmios e elogios, de comerciais e clipes aos longas como “Brilho Eterno”. Se não conhece o trabalho dele e duvida, é só dar uma olhada nos vídeos relacionados a esses que contenham o nome dele lá no You Tube.
Mas nem fiz esse post pra elogiar o Gondry (ainda que ele mereça). O que achei legal nesses vídeos, como disse acima, é observar o processo. Quem trabalha com criação (seja publicitário, cineasta, escritor, pintor, whatever) sabe como essas coisas funcionam. Às vezes algo genial surge de uma idéia simples como o ato de tentar traduzir o ritmo de uma música através de símbolos aleatórios em um papel. O que é o caso.
Tags: Criatividade, Michel Gondry, Vídeos, Videoclipe
8 Julho, 2008 às 9:06 pm |
O Gondry não pode ser humano!!! =P
10 Julho, 2008 às 9:11 pm |
legal, não conhecia o clipe, muito menos o making of. ja vi o filme do brilho eterno, entre outras coisas dele, realmente geniais.
muito boa a relação do visual com a musica, principalmente o lance de dar o ritmo por um trem, que tem um fluxo mais continuo. no making of eles fazem uma camera, mas fica irregular. o trem é naturalmente mais homogeneo.
ótima tradução intersemiótica.
só um pequeno jabá: o trabalho final da facul do meu irmão foi sobre processos criativos.
http://giltokio.wordpress.com/2008/05/25/indicado-ao-hq-mix/
nesse link não tem muita explicação do trabalho, ele não pos na net ainda… mas ta a venda por ai.