1968 e 2008
Quarta-feira eu estava vendo futebol e no intervalo, fiquei passeando pelos canais da Net. Nisso vi um pedaço do Saia Justa, coisa que não fazia há tempos. Mas bem, elas estava falando da juventude de 1968 versus a juventude atual. Daí resolvi escrever esse post, porque pensei bastante nesse assunto logo antes de criar o blog, principlamente por causa de um episódio entre a policia militar e os alunos da UFMG.
Pois bem. Eu já vi muita gente suspirando aí pelos cantos com vontade de ter nascido antes, ter lutado contra a ditadura, ter feito parte da juventude dos anos 60. Fico com a impressão que as pessoas acham que a época de mudança social e política já terminou, que estamos num período tranquilo.
A minha visão é completamente diferente. Estamos numa época muito importante, que terá uma influência dramática no futuro. As questões de hoje são múltiplas, não temos um inimigo único e nem sabemos direito quem são esses inimigos. Não faltam causas nobres para lutar… quem sabe falte um pouco de ânimo. Muito fácil falar que seria legal ter sido perseguido e exilado. Mais difícil é por isso em prática.
A política continua sendo um problema, somos uma democracia no papel, mas e na realidade? Tem milhões de pessoas no mundo morrendo de fome, de diarréia, de AIDS. Temos problemas sérios com produção de energia e alimento. A devastação do planeta está num nível crítico. Há guerras e há uma tecnologia mortal que pode ser usada nelas. Estamos distruíndo nossos semelhantes e nosso planeta. Como alguém pode achar esse época “desinteressante”?
Mesmo assim a juventude é perdida. Quando eu entrei na universidade, há 7 anos atrás, eu sentia a necessidade de participar e cobrar alguma coisa de alguém, como se isso fosse parte da minha experiência universitária. Se não havia uma “bagunça” acontecendo, por que não tentar criar uma ultrapassando um pouco o limite do razoável só pra ver o que acontece? Essa é a atitude de uma parte consideravél dos estudantes, a meu ver. Só que não há necessidade de procurar briga, já tem várias muito importantes se desenrolando nesse exato momento.
Quanto a outra parte da revolução, a revolução cultural, nós também vivemos um tempo de mudança. Como eu disse em outro post, eu vivi parte da minha vida numa época que não havia celular, internet, computador. A mudança na tecnologia, na forma das pessoas se comunicarem, na disponibilidade de informação, no relacionamento interpessoal teve um impacto dramático na sociedade, só não vê quem não quer.
Em vez de suspirar pelo que já passou, por que não se envolver na tarefa bem complicada de tentar entender o que está acontecendo agora? É bem mais difícil ver a situação de dentro dela. Mas quem sabe, daqui a 50 anos, não vai ter joven suspirando de vontade de estar nessa época. Afinal, ao que tudo indica, estamos num daqueles turning points. Vamos ser parte mais ativa dele.
Etiquetas: Tecnologia, TV, Kubrick, 2001
20 Maio, 2008 em 11:52 pm
tem o oposto tambem. tem a turma que acha que a revolução é agora, como foi naquela época, e que temos que sair na rua e brigar. um outro genero de saudosismo.